Agora, o que farei eu com a tua ausência? Continuarei a ser
eu mesma? Não, certamente. Fazias o bem por onde passavas, por onde não
passavas tentavas passar, sempre com um sorriso no rosto. Um rosto que muitos
desconheciam por seres tão calado e distante. Eras sempre muito divertido e
bondoso. Não percebo como isto pode acontecer.
Pessoas
cruéis. Cruéis essas que tiveram a indecência de te fazer mal, sem te conhecer.
Sem saber a boa pessoa que eras e que te poderias vir a tornar. Tenho a certeza
que se isto não tivesse acontecido tudo era bem mais fácil para ambos. Tu
vivias e eu contigo vivia. Vivíamos os dois, conseguíamos realizar os nossos
sonhos. Sonhos de ambos. O simples sonho de fazer o outro feliz. Agora desse
sonho trago comigo um pesadelo constante. Um pesadelo que não vivo só de noite,
como os habituais acontecem, vivo sim de dia e de noite. Todos os minutos,
todos os pequenos gestos que vejo nas pessoas que, de alguma forma se
assemelham minimamente com os que tinhas hábito de ter, todas as palavras que
te caracterizam, e a maior parte dos momentos que vejo marcarem a minha vida de
alguma forma simbólica são assuntos para deixarem mais uma vez ao de cima as
imensas saudades que tenho tuas. Saudades. Um sentimento que me acompanhará
para o resto da vida, a mim e a ti. A mim porque não te tenho por perto, não
tenho a possibilidade de te ter para tudo, para me apoiares e ficares do meu
lado quando preciso. Perdi-te. A ti pois houve alguém que teve a indecência de
te levar a vida. Mas
agora que te perdi, eu encontro-te. Encontro-te onde estás. Nesses caminhos
longínquos que eu desconheço. Desconhecia, aliás. Sim, agora ficarei perto de
ti. Por isso, espera por mim.
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